Quem somos

“Cada um de nós é sucessivamente, não um, mas muitos.” (José Enrique Rodó)

Partimos para outro cenário, navegamos céus como pássaros de verão. Com coragem de desbravar a finitude dos mares em busca de tesouros.

Disse Hilda Hilst que o escritor que quisesse se fazer visto deveria partir. E de fato, como ser visto da mesma maneira quando ao partir nosso mundo toma outra forma?

Partir pode resultar numa divisão de almas. Corpos. Línguas. Sabores. Versos mudam de sentido. Hábitos se transformam como as palavras se transformam com o tempo. Memórias passam a ser objetos valiosos. Carregamos o que é possível carregar permitindo espaço para o que seremos. Para sempre, um estranho familiar.

Tornamo-nos alguém que anseia por uma nova natureza, sendo incapazes de nos desconectar com as próprias raízes. Incapazes então, de negar que nos tornamos uma mistura de “coisas”, um amontoado de fábulas e contos.

Se um dia fomos guerras, hoje queremos ser história. De tudo que restou, que nos reste a verdade sobre as emoções e descobertas profundamente humanas.

Há apenas os que desbravam para descobrir. Há a necessidade de se perder em si para encontrar-se no outro.
Como um pássaro, nos resta a necessidade de partir, levando sementes de um solo à outro e toda a intenção de cultivar toda descoberta.