O princípio de tudo, por Marc Zegans

I

Tomo o mar em ondas púrpuras

Enquanto a noite se aproxima

Braços para trás, cabeça arremessada

Guiada pelo meu queixo

Água alta e baixa

Levando, onda e eu

Para onde se arrebenta sobre a areia

A escorrer turbulenta

II

Rolo na espuma

Me levanto, como um cão; balanço

Água da minha cabeça

Dou de costas

Para o anoitecer

Sobre a praia e as montanhas íngremes

Olho para o sol

Formando poças ao mar, deslizando 

Convidativas, entre meus pés

Corro novamente, mergulho e nado

Submergindo sob as ondas.

Cada vez que retorno

A luz se afasta.

Dou braçadas, como locomotiva a pulsar

Um apito alto explode meus lábios

III

Mar afora; entro na luz branca

Dançando no oceano, últimos raios

Do sol poente. Mar afora, mar afora. 

Penetro no círculo de água mágica

Como se pudesse seguir

A luz até a China 

E então alcanço sua borda

Maravilhado pela fina

Linha por ela desenhada

Maré de ondas quebradiças 

Enquanto observo seu arco

Água fria bate nas minhas costas

Sinto a maré me arrastar

Correndo entre meus dedos

IV

Me entrego

Deixando-me levar

Para fora, para a luz 

Rumo ao alaranjado derradeiro

Espraiado sobre o mar aberto

E lá brincamos, luz e eu

Dançando e rindo, sobre a água

Em espirais, me viro nas ondas

Nos beijamos boa noite, e ela se vai

Coberto pela água

Volto, observando

A silhueta distante

Deito a cabeça sobre a água

Provo o sal

E começo a nadar.


• Poema de Marc Zegans • Publicado em inglês no livro “The Underwater Typewriter,” Pelekinesis Press.

• Tradução de Ann Perpétuo & Juliana Borges


Ouça a leitura de “O Princípio de Tudo”:

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