Em Conversa • Marc Zegans

Marc Zegans é poeta e consultor de desenvolvimento criativo. É autor de seis coleções: The Snow Dead, The Underwater Typewriter, Boys in the Woods, Pillow Talk, The Book of Clouds, and La Commedia Sotterranea: Swizzle Felt’s First Dolio from Typewriter Underground; dois álbuns de palavras faladas Night Work, e Marker and Parker, e também as produções teatrais Mum and Shaw, The Typewriter Underground, e com D.L. Wilder, Sirens, Dreams, e o Car. 

The Snow Dead, é baseado na mais recente coleção lançada teatralmente em São Francisco. Marc mora na costa norte de Califórnia. Suas poesias podem ser encontradas no site marczegans.com, e você pode buscá-lo para orientação criativa no site mycreativedevelopment.com.

Uma boa forma de iniciar uma conversa é falar sobre o tempo e clima, não é mesmo? Como está o clima agora na Califórnia?

Está uma noite fresca no momento, um agradável prelúdio antes da onda quente que supostamente chegará amanhã. Temos oitenta e cinco mil acres de floresta queimando fora da cidade, e estamos desejando que este calor não se alastre ainda mais. Minha gratidão, orações e admiração vão para os heroicos e corajosos bombeiros que estão contendo as chamas e também os muitos outros incêndios que atingiram a Califórnia nas últimas semanas.

“Esta noite nós
não fizemos
amor, mas nos agarramos
um contra o outro
e acordamos
sólidos em
nosso abraço.”

[fragmento do poema “Running” – “Correndo” publicado no livro de Marc Zegans “The Underwater Typewriter” – tradução livre]

Marc, seu poema “Running” me fez sentir a “água” correndo no decorrer do poema, às vezes em forma de “mar”, e outras vezes pelas “lágrimas”. A vida e as relações são como o oceano?

Marluce, você leu diretamente no coração do poema, especialmente no momento em que ele foi escrito. Eu tenho tido na minha vida uma longa relação com o mar, e para mim, a vida e os relacionamentos são muito parecidos com o mar – vasto, espetacularmente belos, constantemente se alterando, excitantes, às vezes assustadores, tantas vezes inesperados, e sempre uma aventura.

Por que escolheu a favela do Vidigal, localizada no morro do Leblon no Rio de Janeiro, para seu poema?

Eu passei um tempo trabalhando no Rio no início dos anos 90. Eu fiquei fascinado em como as favelas na orla dessa incrível cidade formaram vidas tão ricamente interconectadas, e as economias informais robustas e vitais. As milhares de pequenas casas empilhadas uma sobre as outras, muitas com vistas espetaculares, a medida que se erguem pelo morro, capturaram minha imaginação. Eu tive a oportunidade de passar um tempo com uma professora que dirigia uma uma pequena escola lá dentro, e que me apresentou para a comunidade. A hospitalidade, a bondade e a simpatia das pessoas nesta comunidade precariamente empoleirada realmente me emocionaram.

Minha experiência no Vidigal contrasta de forma acentuada com a minha experiência em Botafogo, onde eu vivi durante minha estadia no Rio. Botafogo é enérgico, altamente urbano, com tráfego intenso, repleto de gente, é alegre, muito apressado; com exceção do mercado, onde os olhos das pessoas não se encontravam.  Eu gostei e ainda me lembro com carinho daquele fluxo todo e das conexões nos olhares brilhantes que experimentei no Vidigal.

Ainda sobre mares, você atravessou o Oceano Pacífico para o Atlântico, a navegar muitas milhas. O que o Brasil trouxe para você para sua arte? 

Mais do que qualquer coisa, o Brasil me trouxe a sensação de abraçar minha arte. Abraços capta isso bem. As pessoas são tão calorosas, tão preenchidas de vida, interessadas em falar, passar o tempo junto, dançar. Eu entrei no ritmo de sair quase todas as noites com as pessoas para jantar, beber caipirinhas e dançar. Eu amei a incrível comida, especialmente a variedade maravilhosa de frutas que estava disponível em todo lugar, meu coração acelerou com o drama visual carioca. Eu também amei a vida e a atividade nas praias, e também aquelas ondas pretas e brancas desenhadas no chão das calçadas. 

Enquanto eu aproveitei o tempo nas praias de Ipanema e Leblon, também amei demais a Praia Barra da Tijuca. Aquela área estava menos habitada que agora, a praia estava aberta e menos cheia, então achei sua extensão fantástica. Nadar lá também era ótimo. Eu aproveitei tanto que no meu último dia no Rio, antes de ir para o aeroporto, um amigo me levou para uma fina churrascaria na Tijuca.

Em muitos aspectos o tempo que passei em Curitiba também me influenciou criativamente tanto quanto o Rio. 

Há uma casa de ópera construída em vidro sobre uma pedreira em Curitiba que é um milagre absoluto. Lembro-me de chegar lá, andar sobre as águas que corriam por debaixo daquela estrutura toda de vidro e olhar com puro espanto enquanto as luzes internas se apagavam, as luzes subiam pela imensa vegetação fora do corredor como se estivéssemos sendo transportados para uma floresta encantada. Foi um daqueles momentos compartilhados em que o ar se completa de energia e brilho – verdadeiramente mágico.Curitiba me fascinou por suas inovações bastante profundas em transporte, arte pública e a reutilização hábil e criativa de materiais. Inclusive tive a oportunidade de conversar com Jaime Lerner, prefeito de Curitiba na época, durante um jantar. (Logo ele se tornou governador do Paraná.) Lerner, que era arquiteto e urbanista, é um cara fascinante. É raro que políticos bem sucedidos tenham uma boa base em planejamento urbano e teoria social, e ainda mais raro em um político é ter uma visão abrangente do lugar e as suas possibilidades organizadas tanto pelo valor estético quanto pelo design econômico. Ainda que eu o tenha encontrado apenas naquela ocasião, aprendi como o trabalho criativo e contexto interagem. Especificamente, passei a entender “situação” e acabei sendo situado de uma forma que eu não teria tido antes.

“Eu vejo agora que tenho dormido

Em um estacionamento, a ponto de ser

Removido, um ocupante temporário”

Este é um fragmento do seu poema “Coffee”. Muitos poetas possuem a sensação de serem estranhos e estrangeiros mesmo em suas casas, um sentimento similar a de um imigrante. Você acredita que todo escritor deveria se mudar em algum momento?

Esta é uma questão maravilhosa. Me fez realmente parar e pensar. Eu não acho que deve haver nenhum “deveria” na escrita, pois cada pessoa, o dom de cada um e seus modos particulares de se expressarem são específicos a cada indivíduo. Para alguns, o valor e o poder do próprio trabalho é necessariamente vinculada ao lugar; sua expressão poderia ser destruída ao mover-se a outro lugar que não seja o que define e fundamenta seus trabalhos. Com esta ressalva observada, eu realmente sinto que existe um tremendo poder, valor e oportunidades em se mudar. Sair de nosso vínculo familiar pode nos transformar para melhor em muitas formas.

Um caso paradigmático é o pintor Paul Gauguin, de uma forma menos dramática, ao menos por um tempo, nossas circunstâncias originais podem nos abrir de muitas maneiras. Quando damos um passo para mais longe, nós aprendemos a enxergar com outros olhos; nosso ritmo físico muda; sentimos diferentes aromas; a comida que comemos e a forma como comemos muda, e sendo estrangeiro em um lugar desconhecido, mesmo sendo recebido calorosamente em outras casas, sentimos nossa vulnerabilidade de forma mais palpável. Como consequência, somos forçados a observar mais de perto. Ser desapossado do que podemos considerar natural, aceitar o desconhecido e ser abraçado por aqueles que não conhecemos só pode ser bom para nós como artistas.

Como enxerga o uso de ficção e realidade em um poema?

Os poemas que mais me moveram são aqueles que criam uma realidade completa, urgente e imersiva. Eles tomam conta de você tão profundamente que você se esquece de si mesmo e passa a habitar o mundo criado no poema. Os poemas mais finos sustentam uma capacidade de nos fazer habitar o poema ao mesmo tempo em que os analisamos, desconstruimos e aprendemos os meios de reproduzi-los. Quanto mais sabemos, mais eles nos possuem. Em um livro chamado Kerouac on Record (Bloomsbury 2018), em um ensaio que antecede alguns de meus poemas, menciono a alegria com que Jimmy Page, mais conhecido como guitarrista do Led Zeppelin, conta sua experiência ao encontrar a gravação instrumental “Rumble” de Link Wray. Jimmy Page, agora na casa dos setenta anos, relembra com êxtase sua experiência direta com essa música, sua euforia se aprofundando conforme ele mostra, cerca de cinco décadas depois, exatamente como era feito.

Abordo sua pergunta deste ângulo porque qualquer poema vivo contém tanto elementos extraídos da realidade quanto ficções que são necessárias. Nunca é um ou outro, trata-se de selecionar elementos da vida e moldar elementos novos – em última análise, enraizados na vida – de maneiras que tragam a realidade específica do poema na página, ou no palco da palavra falada, e que moldam a realidade que existe entre o poema e quem escolheu recebê-lo. Dentro dessa orquestração, entretanto, alguns poemas são apresentados como ficções conscientes, cuja intenção explícita é convidar os leitores a suspender a realidade e entrar em uma experiência que de outra forma não estaria disponível.

Em contraste, outros poemas procuram capturar e expressar a experiência vivida de uma forma ou de outra – talvez para destilar um momento, talvez para capturar uma cena, ou quem sabe para oferecer uma confissão. Como tal, eles localizam pelo menos uma parte de sua afirmação de validade em uma reivindicação de correspondência de algum tipo com a realidade externa passada ou presente. Mas tais poemas, mesmo que busquem a exatidão, impõem um quadro a uma situação de vida que na realidade é contínua. Dentro desse quadro, eles selecionam detalhes destinados a evocar a situação em termos escolhidos pelo poeta. A exclusão de certos detalhes em favor de outros, mesmo que os retratados sejam precisos, por força estabelece uma ficção. Portanto, a verdade, ou realidade, de um poema projetado para transmitir a experiência ao vivo é sempre relativa à intenção do poeta. Embora o significado que seus leitores descobrem em um poema possa tender para o universal, o fato definido pelo qual ele expõe tal significado é necessariamente algo menos do que toda a verdade.

Porém, não é apenas a seleção pela qual partem os poemas que propõem correspondência à realidade externa, os dispositivos que os poetas usam para habitar as mentes, corpos e espíritos de seus leitores – ritmo, métrica, metáfora, estrutura estrófica, ordem de apresentação, alusão e música interna, para citar alguns – refazer à força a realidade a serviço do poema, cuja experiência no final é o que importa para os poetas e seus leitores.

Quem são os escritores e poetas que mais admira?

Os escritores que eu mais admiro são as pessoas que conheço que lutam para escrever da melhor forma que podem a serviço dos seus leitores; me refiro a crianças aprendendo a escrever; pessoas que possuem algo dentro de si e precisam se expressar; colegas poetas e dramaturgos lutando com seus rascunhos para criar algo de valor; experts escrevendo artigos e boletins afim de compartilhar seus conhecimentos; pais escrevendo para suas crianças declarando seu amor por elas; e aqueles que escrevem para consolar tristezas. Escrever é profundamente humano, imensamente difícil de se fazer, e para mim, qualquer um que pega uma caneta nas mãos e escreve com urgência, ou como uma forma de presentear os outros, é um escritor que eu admiro.

A lista das minhas influências poéticas e literárias está em constante mudança. Este ano, o poema que provocou grande efeito em mim foi Wyatt Earp (Alternating Current Press, 2020) de Larry Beckett, publicado na última primavera. Seu uso de dispositivos retóricos como um substituto para a repetição métrica expandiu meu senso do que é possível dentro da tradição americana da língua inglesa, e isso não acontece com frequência. Passei um bom tempo no início deste ano lendo uma série de entrevistas com Borges realizadas durante seu oitenta e cinco e oitenta e seis anos. O encontro com as reflexões desse escritor e poeta cego, um poeta mundial, tão profundamente arraigado no meio argentino, me deu uma noção poderosa de alcance, possibilidades e limitações de se fazer sentido com as palavras. À medida que envelheço, esse tipo de encontro se torna mais importante para mim.

Recentemente, venho relendo e compartilhando fragmentos de Yeats.  Investigar Yeats em um ponto da vida onde eu possa realmente ver o que ele alcançou em nível de criação tem renovado a poesia e induzido um tipo de reverência bem vinda para mim. Sentir admiração genuína pelas realizações humanas nesta idade, especialmente em seu campo, é uma experiência totalmente bem-vinda. 

Quanto à poetas americanos, Sharon Olds têm tido em mim uma influência de longa data, em parte porque a li ainda cedo e por ter a encontrado na vida, descobri em sua honestidade direta e moderada uma maneira agradável e poderosa de fazer versos.

Poderia nos explicar melhor? 

Sim, com prazer.

Considere a forma na qual ela termina o poema “His Terror” (“Seu Terror”), que é sobre seu próprio pai em seus últimos dias de vida.

“Os nódulos do câncer estão em todos os lugares agora,/ele pode deitar a palma da sua mão na pele onde se dilatam, ele pode/indicar os buracos onde o cirurgião esteve./Ele me pede para tocá-los./Talvez seu terror não seja morrer,/ ou seja ainda da morte, mas de algumas lágrimas/guardadas dentro dele durante toda a vida/ e há apenas algumas semanas.”

Aqui você a vê comunicando a verdade direta e inegável. “Os nódulos do câncer estão em todos os lugares agora.” Ela não hesita, ou percorre por uma metáfora vaga. Ela encara a situação e também nos força a encará-la. 

Não há espaço para a fuga, e ainda, com a palavra final “agora”, ela nos conta que nem sempre foi assim. Havia uma vida antes, e então ela abre nosso imaginário para o que essa vida poderia ter sido, estabelecendo ali, sem descrever em palavras, onde o terreno qual contrasta seu terror–tema do poema–repousa.

Então ela expande em terreno firme com a descrição seguinte, “ele pode/indicar os buracos onde o cirurgião esteve.”

Tendo nos impedido de evitar a verdade física da situação do pai, ela se volta ao que o terror possa ser. Ele é agora objeto de especulação, inserido nela, é a preocupação dela e sem romper a voz do poema. Essa transição fluida do que é real e para o que poderia ser é perfeita e descarada. Nós vemos ele. Nós a vemos como um narrador situado, pensando, questionando. E então sabemos a verdade final que nos traz fato e questão juntos–”e há apenas algumas semanas.”

O verso, por não olhar para fora, por olhar para e internamente, encontra força e ainda o poder de falar de forma direta, poder esse que pode ser perdido se utilizado com filtros ou analogias.

E há mais alguém que admira?

Compositores têm sido tremendamente importantes para mim e meu desenvolvimento. Tudo que eu faço criativamente possui raízes no blues, mas além dessa ampla verdade, gravar particularmente artistas fora deste gênero também têm tido uma poderosa influência na minha escrita.

Fui atraído para a palavra falada por trechos de Tom Wait como “Emotional Weather Report”, em seu álbum Nighthawks at the Diner. Além do apelo lúrido, vividamente exagerado, que Waits ofereceu a um adolescente em transe, encontrei orientação e inspiração nos melhores compositores americanos, porque eles alcançam essa economia de linha usando uma linguagem mais simples. Considere o verso de abertura de Hank Williams, “I’m so Lonesome I Could Cry” (“Estou tão solitário que posso chorar”):

Ou os dois primeiros versos de partir o coração de “Lonely Girls” (“Meninas solitárias”), de Lucinda Williams:

O grau do convincente isolamento descrito com linguagem clara nestes versos simples é extraordinário. Ouvir essa música e aprender a letra que a anima, me ensinou que qualquer ação que eu como poeta venha a usar a partir dessa elegante simplicidade tem que ser justificada pelo significado que ela empresta à obra. É um padrão difícil de encontrar.

Filme “Alpha Betsy”, por Debra Cantanzaro

Seu projeto Typewriter Underground (“Máquina de Escrever Subterrânea”) é uma bela coleção de vídeos em colaboração com muitos artistas. Ver um poema escrito por você através da perspectiva de outra pessoa te permite aprimorar a relação com seu próprio trabalho e também com os demais? 

Trabalhar com outras pessoas desta maneira me ajuda a ver as possibilidades performativas e as limitações de meus poemas. Isso não consegue ocorrer com o trabalho que simplesmente aparece em uma página impressa, ou que eu apenas leia em voz alta para os outros. Trabalhar com cineastas é particularmente interessante pelo fato deles serem capazes de transmitir para os atores a leitura que tiveram do poema, e isso intensifica a experiência de quem assiste o material, por delimitarem nitidamente o que os espectadores encontram. Por ser uma interpretação, um filme baseado em um poema que seja bem feito, estreita ainda mais as possibilidades que o espectador pode atribuir ao material em relação a fonte de origem.

Claro que isso significa que muitos desses filmes e performances são possíveis, e a ideia de promover várias representações, impulsionadas por uma estética de peça de teatro, tem sido uma parte central do projeto Typewriter Underground. Eu li os poemas que formam a base do projeto em espaços literários por toda a Califórnia por mais de um ano antes de juntar o material em um livro – La Commedia Sotterranea della Macchine da Scrivere: o primeiro fólio de Swizzle Felt do Typewriter Underground (Pelekinesis, 2018) – em uma produção teatral na Biblioteca Henry Miller em Big Sur, dirigido e produzido por Janice Blaze Rocke.

Existem limites para colaborações e parcerias como estas?

Há muitos limites para estas colaborações- tempo, interesse, capacidade, orçamento, entendimento, ressonância, e muitos outros. Mas o que é mais surpreendente é o quão amplo e praticamente inexplorado é o espaço colaborativo.  Atualmente, estou envolvido em um projeto com a Tsar Fedorsky, uma fotógrafa de belas artes, sob os auspícios do Manship Artist Residency and Studios (MARS). O projeto é uma “Residência Fantasma” que concebi quando o COVID chegou aos Estados Unidos. Eu tinha sido programado para fazer um retiro convencional de escritor em Manship, e por causa das restrições de viagem e residência, fui impedido de fazê-lo. Em vez de encarar isso como uma perda, perguntei: “E se pudéssemos fazer minha presença ser sentida na Mansão e se o lugar pudesse fazer sua mágica funcionar em mim? E se inventássemos uma residência virtual ou “fantasma”? Conforme a ideia se desenvolveu, chegamos à noção de uma colaboração entre eu e uma fotógrafa local que exploraria os terrenos e edifícios em Manship com a sensação de que um poeta invisível, talvez um fantasma, estava trabalhando e morando lá.A serviço desse fim, enviei a Tsar muitos dos meus poemas, para que ela pudesse ter a noção de como sou como poeta. Enviei-lhe um novo trabalho que estava produzindo simultaneamente com seu cronograma de filmagens, e ela, por sua vez, compartilhou imagens bastante impressionantes emergindo de seu final do projeto. Discutimos isso longamente e editamos a matéria-prima em um potente ensaio fotográfico trilateral chamado Stone, Ghost, Life. No momento, estamos trabalhando com o pessoal da Manship para determinar a melhor forma de compartilhar esse trabalho com o público. Enquanto meus poemas e a ficção da minha vida como poeta inspiraram o projeto, o principal é um conjunto de imagens que respondem ao meu trabalho escrito, nossas conversas e o local, mas que não contêm uma única interpretação dos meus poemas. Haverá um pequeno ensaio meu para acompanhar o projeto, mas a expressão manifestada no projeto estará nas imagens, e é exatamente assim que eu queria.

Filme mudo “Hypergraphic Dakini”, por Jenn Vee

Ainda sobre o seu projeto Typewriter Underground, o filme mudo feito por Jenn Vee, foi baseado no seu poema “Prolixity Ferris”, do livro La Commedia Sotterranea della Macchine da Scrivere. Eu recentemente ouvi de um crítico literário que o escritor precisa de silêncio e lentidão, e este vídeo se aproximou perfeitamente desta idéia! Uma combinação de silêncio, tempo, e palavras. Você também acredita que um escritor precisa desta combinação?  O que mais?

Eu acredito nisto fundamentalmente. Fui fortemente influenciado em direção a esta visão, pelo argumento usado por James Joyce na obra Retrato de um Artista Quando Jovem sobre silêncio, exílio e astúcia. Aqui, Stephen Dedalus que é o alter ego de Joyce diz:

E tratarei de exprimir-me em algum modo de vida ou de arte tão livremente como possa, tão plenamente como possa, usando para minha defesa as únicas armas que me permito usar —

silêncio, exílio e astúcia.

Lentidão como acompanhante do silêncio é de tremenda importância. Permite nossos pensamentos e idéias amadurecerem, se arredondarem, e para desenvolverem nuance e textura. Isso é diferente de usar a arte consciente para alcançar qualidades análogas. Quando agimos conscientemente para gerar propriedades que surgem naturalmente da lentidão, fazemos isso prefigurando o resultado – temos uma imagem em mente da aparência, sensação e sabor de uma fruta totalmente amadurecida, então corremos para cumprir nossa imagem desse resultado. Em contrapartida, algo que cresce e muda com o tempo será específico, único e complexo de maneiras imprevistas. Um condimento balsâmico de uma safra de quarenta anos terá um sabor marcadamente diferente de um feito pela mesma família, usando o mesmo método, extraído de uvas colhidas no ano seguinte, e é aí que reside a beleza do amadurecimento lento.

Qual a função de um poema?

Suponho que existam tantas respostas para essa pergunta quanto o dia é longo, e não pretendo especular se há uma resposta final para sua pergunta.

Eu arriscaria, porém, que um poema nem sempre precisa ter uma função; pode simplesmente ser. Os poemas podem ser completos sem a necessidade de desempenhar um papel além de sua simples existência. Eles podem permanecer em si mesmos ou, por sua natureza, insistir em si mesmos de maneiras inegáveis. Isso pode ser suficiente.

Falei antes sobre poemas que não podem ser possuídos, um poema completo em si mesmo é tal poema. Podemos entrar em seu espaço, mas como não desempenha uma função externa, não podemos detê-lo como faríamos com um poema voltado para uma aplicação específica.

Embora a questão seja controversa, acredito que, dentro da poesia, os poemas podem e com razão servem a funções, mas não todos eles. Uma função particular de um poema é dar testemunho, usar o idioma para desnudar o que não pode ser dito de outra forma, ir além das máquinas de distorção da realidade de regimes opressores e líderes autoritários para verdades que nos restauram a nós mesmos. Outra função de um poema é criar um significado que não poderia existir de outra maneira. Se podemos dizer algo de outras formas igualmente frescas e igualmente boas, um poema é uma forma de expressão, mas não tem nenhuma função poética particular. Se o que precisa ser dito só pode ser expresso em um poema, então esse poema desempenha a criação de significado poeticamente específica ou função afetiva. Um poema também pode funcionar como um portal que leva os leitores a lugares nunca vistos, a experiências além de sua imaginação e a lugares negligenciados de importância comum a todos nós. Um poema pode funcionar para nos fazer sentir que nos encontramos quando nada em nossas vidas é mais importante. E para mim uma das melhores funções de um poema, e este conceito não é original para mim, é para tornar a manhã nova.

Quando olha a arte ou o poema de alguém, o que vê primeiro, e o que te faz encará-los por um minuto ou uma hora?

Um poema ou obra de arte que atrai e prende minha atenção ativa algo poderoso dentro de mim. É tão claro no que projeta que me agarra antes que eu tenha visto ou ouvido conscientemente. Uma vez que me pegou, ele funciona para me puxar mais fundo, fornecendo uma paisagem rica para explorar, um material significativo para mastigar, uma expressão emocionalmente conectada e toca partes de mim que precisam crescer e partes que precisam ser curadas.

Um trabalho prende minha atenção quando, tendo despertado meu interesse, me dá algo tão importante que me sinto compelido a compartilhar minha experiência com outras pessoas. Uma boa ilustração é a produção de Hamlet de Brett Dean em Glyndebourne, que recentemente apareceu online por uma semana. A ópera remodela a famosa narrativa da peça de uma forma chocante e fascinante. Ele estabelece sua premissa narrativa com um ato devastador de heráldica – “não ser” a conclusão da ópera, dada no início, agora perdida.

Tendo nos sacudido a um estado de alerta inesperado, a produção arroga para si a liberdade de apresentar esses personagens anteriormente familiares de maneiras nunca vistas antes, a música desempenhando um papel crucial nesta revitalização – não como acompanhamento ou ornamentação de, mas como um romance central , força vitalizante, que toma nosso conhecimento expressamente compartilhado do resultado como permissão para fazer aquilo para o qual a música está mais bem equipada – leva-nos a uma exploração completa dos lugares que estão entre a origem e o retorno. Enquadrar totalmente a tragédia na linha de abertura do libreto estabelece os fundamentos pelos quais este Hamlet pode ser verdadeiramente “Ópera”, conduzido e enquadrado pela música, e isso é emocionante.

Em termos mais íntimos, li uma postagem no Guardian hoje, compartilhada pela minha amiga a crítica de rock, biógrafa e cantora Sylvie Simmons, sobre Marc Bolan, do famoso T-Rex, que continua influenciando artistas musicais. O artigo incluía um link para a capa recente de Nick Cave da música de Bolan, “Cosmic Dancer”. A música de Cave, especialmente seu álbum The Boatman’s Song, sempre falou comigo, então eu a toquei avidamente. Minha experiência imediatamente fez surgir um aglomerado de memórias relacionadas à gravação original, sem dúvida gerados pela apreensão de Cave sobre a verdade emocional da canção, e a sua habilidade potente de comunicar aquela realidade desde a nota inicial.  Eu rapidamente me encontrei em transe e intrigado com a instrumentação e o arranjo da gravação. Essas escolhas expandiram as possibilidades da música enquanto permaneciam fiéis ao seu coração – como a produção de Hamlet – intensamente familiar e ainda assim atraente.

Enquanto eu ouvia, “Cosmic Dancer” de Cave me deu acesso a uma série de memórias complexas, não linearmente conectadas, mas relacionadas à música, aos artistas e ao produtor, que clamavam por ser encontrados, e às feridas emocionais deixadas em aberto, agora chorando para ser resolvidas. Então, quando acabou, eu toquei novamente, e então novamente, e então novamente – a repetição sendo parte integrante da força emocional da música e do poder de cura. E quando terminei, transmiti essa parte a outras pessoas em várias mensagens e postagens. Por quê? Porque me atraiu; tocou algo real; mudou-me para melhor e fez-me querer partilhar este dom com pessoas que poderiam ser tocadas da mesma forma que eu fui.

“o barulho deste lugar é o som de deus?

você acredita que deus mora na floresta?

eu acho que talvez estejamos ouvindo-o respirar

seguimos andando lenta e silenciosamente…

só para que saiba, não estou com medo.

não acho que seja um problema não ver.

gosto de não ver quando começamos a caminhar.”

PoemaWalk [“Caminhar”], por Marc Zegans

A literatura nos permite procurar por Deus? O uso da palavra deus no diminutivo significa que seu deus é diferente de outros deuses? E a razão pela qual você diz que prefere não vê-lo quando começa a caminhar é pelo fato de que pode seguir a vida em Sua busca?

Que lugar seco e triste o mundo seria se a literatura não nos permitisse buscar a Deus. Nada obriga a literatura a se envolver com o espiritual e o transcendental, mas também nada o proíbe. Se seus objetivos são o encontro, a exploração e o convite, mas não o proselitismo, então a busca do divino nas palavras funciona como literatura. Quando envolve uma agenda em sua história, é então outra coisa.

Sua pergunta sobre o pequeno “d” Deus em “Walk” traz à tona um aspecto importante do poema. A pergunta é feita por um menino durante sua primeira aventura na densa floresta. Para ele, Deus é um familiar, um lugar-comum, parte da estrutura do universo, assim como todos nós. Ele ainda não aprendeu a ver Deus como algo removido: um Deus temível, um Deus amoroso, um Deus de julgamento, um Deus de esplendor a ser respeitado. Ele vê Deus simplesmente desempenhando um papel de algum tipo, então de uma forma humilde e despretensiosa ele faz perguntas sobre esse pequeno “d” Deus.

A voz que diz “Gosto de não ver” ainda é a do menino. Ele está comunicando a seu pai que não está com medo, que se sente seguro e bem cuidado na floresta, e que usar seus outros sentidos é emocionante, fresco e repleto de possibilidades. Está implícita neste relato a premissa de que, enquanto mantivermos a abertura à esta experiência infantil podemos, como você sugere, continuar a viver em busca.

“Eu presumo que eu agora esteja fora,

Sem desculpas, sem arte,

Sem artifícios, fora.”

Este é um fragmento do seu poema “Out” (“Fora”). Uma vez você disse ao Creative Life: “Dizer que eu era poeta era o equivalente a sair do armário” – gostei tanto que você disse, porque também disse o mesmo quando li minha poesia pela primeira vez para as pessoas – fiquei com tanto medo! Então, depois de se assumir como poeta, não há como voltar atrás, certo? Foi naquele momento que você decidiu passar a maior parte do tempo ajudando as pessoas a superar os bloqueios criativos? Você pode nos contar um pouco sobre como foi o seu processo de “sair do armário”?

Estou emocionado que minha voz tenha ressoado em você e que tenha falado com sua experiência. Dar um passo à frente, dando voz plena a quem você é, pode ser uma experiência aterrorizante. Saber como outras pessoas o fizeram pode ser um grande conforto. Isso nos faz sentir menos sozinhos no mundo.

Para mim, o processo de reconhecer que a poesia é central para quem eu sou foi extenso. Comecei a escrever poesia muitos anos antes de “aparecer” como poeta. Eu até tinha uma peça baseada em um grupo de meus poemas produzidos pelo diretor, Colby Devitt, mas mesmo assim eu não era poeta. Foi algo que eu fiz “paralelamente” ou, melhor dizendo, “despercebidamente”. Pouco depois da produção dessa peça, parei de escrever poesia por cerca de dez anos.

Comecei a escrever novamente depois de passar por um câncer, um divórcio e o início de uma nova vida. Tive a sorte de ter uma residência no Refúgio Mesa em Point Reyes, Califórnia, onde, para minha surpresa, comecei a escrever poemas. 

Tive a sorte também de ter três pessoas maravilhosas que receberam esses arranhões iniciais com amor e respeito. Abriu um canal que se tornou mais amplo nos anos seguintes.

Mesmo assim, demorei a dizer que antes de mais nada eu era poeta. Eu cresci em uma família que tinha um conjunto tortuoso de atitudes em relação à criatividade, o que tornava muito difícil. Enquanto celebravam grandes conquistas criativas do tipo do Prêmio Nobel, viviam com um medo terrível do constrangimento que poderia advir da produção de qualquer coisa que não fosse no mínimo perfeita. Conseqüentemente, fui forçosamente informado de que, a menos que pudesse garantir o sucesso de meus esforços, deveria poupar a família da humilhação de estar ligada aos meus erros. Eles não apreciavam os tropeços do caminho de um processo criativo, nem a integridade do trabalho realizado em qualquer nível de capacidade. Os imperativos que eles expressavam também eram desprovidos de respeito pela natureza particular de cada um. Tudo era impulsionado por coisas externas, como as coisas se pareciam para o mundo e como o que era compartilhado refletia neles. A mensagem em essência era: “a menos que você seja um gênio reconhecido, guarde isso para você”.

Portanto, levei uma vida dividida, escrevendo poemas e desenvolvendo meu ofício, enquanto fazia meu trabalho com artistas criativos e organizações artísticas. Quando construí meu primeiro site, eu reuni essas partes, apresentando-me como poeta e também como consultor de desenvolvimento criativo. Eu não posso começar a descrever a crítica que recebi de membros da família a partir disto. Eles estavam convencidos de que me apresentar como um poeta destruiria minha capacidade de atrair clientes de consultoria. Eu realmente me senti mal por eles e por quão ansiosos eles estavam, mas tendo sobrevivido ao câncer e feito uma nova vida do zero, eu finalmente vi o absurdo de toda a dinâmica, me soltei e me tornei um poeta. E foi aí que minha vida realmente começou.

Há uma diferença entre se assumir poeta apenas escrevendo em uma página e apresentar para uma audiência?

Em alguns contextos eu faço a distinção entre funcionar como poeta e “apresentar palavra falada”, porque isso pode ser útil de se fazer em determinadas situações. Se eu estou apenas a ler poemas escritos por outras pessoas, então estarei funcionando mais como ator do que um poeta. 

Fundamentalmente, ainda que eu não faça distinção entre os dois modos de criar e engajar poesia.

Poesia iniciou-se na forma falada e na música. Eram palavras carregadas no ar, e para mim o cerne da poesia ainda se encontra nisto. Eu processo palavras mais como sons do que por símbolos. Sempre tive isso em mim, e quando moldo um poema eu o vejo como uma escultura efêmera–palavras flutuando no ar, preenchendo espaços, e depois, gentilmente, mudando seus contornos conforme suas vibrações ecoam e decaem no espaço, caindo no que chamei em um poema de “ambiente plácido”.

Quando escrevo, tendo dispensar um tempo considerável vocalizando o poema em voz alta, explorando as possibilidades sônicas, a estrutura tônica, seus diversos ritmos possíveis, e os pontos de ressonância do meu tórax, boca e cavidades nasais que dão vida às palavras.

Esses exercícios vocais não somente moldam meus poemas para a performance, como também produzem um trabalho muito melhor na página, pois me munem com ritmo, métrica, musicalidade, sonoridade,  saliências e dinâmicas do texto de uma forma que eu não conseguiria apenas com os olhos na página.

Como consultor de desenvolvimento criativo, ajudando artistas, escritores e indivíduos criativos a prosperar e brilhar, qual o seu conselho ou como você trabalha com artistas que têm o inglês como segunda língua?

Esta é uma pergunta maravilhosa, mas minha resposta dependeria inteiramente nas necessidades, capacidades, e circunstâncias específicas do indivíduo. Como eu poderia trabalhar com eles, e o que eu poderia tentar alcançar dependeria do que eles estão buscando, e se eu poderia fazer algo útil para ajudá-los.

Você trabalha com diferentes artistas e tipos de arte, como teatro, música, poesia, e filmes, assim como o universo corporativo e dos negócios. Qual é a linha tênue entre todas elas?

Não sei se há uma linha tênue, especialmente hoje porque mais e mais pessoas trabalham em uma variedade de mídias. Dito isso, diferentes disciplinas têm diferentes métodos, tradições, modos de avanço e estruturas sociais e econômicas. Por exemplo, o treinamento, a trajetória de carreira, os meios de subsistência e as oportunidades de praticar seu ofício serão muito diferentes para um dançarino e para um pintor. Então, um dos benefícios que surgem de trabalhar nas artes é que muitas vezes sou capaz de pegar uma ideia que é prática comum em um domínio e oferecê-la como uma sugestão para alguém que trabalha em outro. Essa sinergia ativa de práticas tende a abrir novos conjuntos de possibilidades.

Falando um pouco sobre o momento no qual estamos vivendo, diante do coronavírus, como acredita que têm impactado as mentes criativas?

Eu tenho visto isso afetar os artistas, escritores e performers com os quais eu trabalho de várias maneiras. Em comparação com a população em geral, acho que eles se adaptaram à situação de maneira bastante robusta. Os artistas normalmente tiveram que lidar com adversidades, exclusão e vários tipos de risco como parte de suas vidas diárias, muito antes de COVID. Eles também desenvolveram fortes ferramentas e práticas imaginativas que lhes dão uma vantagem no confronto de circunstâncias desafiadoras e, uma vez que muitos deles estão acostumados a trabalhar longas horas sozinhos, o distanciamento social os afetou menos do que as pessoas que de repente se encontram em um isolamento desconhecido.

Em termos do que tenho visto, tem sido tudo, desde intenso envolvimento de ativistas com o tópico, ao avanço focado de novos trabalhos, exploração inventiva de tecnologias novas e diferentes, letargia e desespero. Um fator que parece ser extremamente importante para determinar o progresso criativo das pessoas na época de COVID é se elas estão engajadas na nova situação como um conjunto interessante de restrições criativas e graus de liberdade a serem explorados de formas originais ou simplesmente tentando replicar o que eles fizeram anteriormente através de meios que julgam ser substitutos pobres. Os primeiros estão se preparando para crescerem, os últimos para as dificuldades criativas e emocionais.

“Estou sonhando com o que posso sonhar.

A lista é longa–um catálogo

de sonhos; uma coleção

de símbolos.”

“Of Dreams and Songs”, por Marc Zegans, publicado em Spoken Word Scratch Night, em Paris.

Marc, o sonho comum dos artistas é viver de suas artes?

É o sonho comum, mas não o sonho universal. Muitos artistas estão felizes de não conectarem seus trabalhos com o meio de ganharem dinheiro. Outros querem ganhar a vida com sua arte, desde que isso fortaleça sua energia criativa e experiência. Outros, ainda, gostariam de viver exclusivamente de suas artes, mas não permitiriam que rendas limitadas os detenha. Finalmente, alguns definem suas independências financeiras através de suas artes como objetivo primário.  Estes últimos, permanecem nas artes se sucederem na sobrevivência delas e as deixam se não alcançarem esse objetivo.

A questão que você levanta é diferente agora do que era nas gerações anteriores, porque uma porcentagem significativa da população está vivendo suas vidas com mais saúde após a aposentadoria.

Como consequência, vemos muitas pessoas iniciando vidas criativas quando a renda não é mais uma restrição à criatividade.

Há um momento em que os artistas e escritores deveriam parar de sonhar?

Quando paramos de sonhar, nos tornamos menos vivos. Jamais devemos desistir de sonhar. Devemos nos tornar excelentes em abraçar nossos sonhos, cultivá-los e aprender com eles. Nós devemos saborear nossos sonhos por direito próprio, deixá-los nos inspirar, nos ensinar como precisamos crescer e mudar, e permití-los nos informar como podemos ser melhores neste mundo.

O que não devemos fazer é viver em quimeras, ou organizar nossas vidas baseadas em fantasias sem conexão com a realidade. Artistas que trabalham são pessoas práticas. Eles colocam as mãos na argila e trazem forma a partir dele. Artistas trazem as suas artes para o mundo e compartilham com os outros. Eles refletem em suas práticas e se adaptam com base em novas informações e feedback. Quando um sonho se cansa, se torna exaustante, e irrelevante, é tempo de deixá-lo ir e convidar novos sonhos a entrar em nossa vida.

Quando um poema termina?

Esta é uma bela pergunta.

Contanto que esteja no mundo e possa tocar um coração ou remendar uma alma, um poema nunca termina.


Foto da Capa por Amanda Hoskinson

Outros links para os trabalhos do Marc Zegans:

Spotify • “The Underwater Typewriter” • “La Commedia Sotterranea della Macchina da Scrivere” • “The Snow Dead”Interview with Moving Poems


Quer ler mais sobre poesia e literatura? Vem ver nossa conversa com a Luci Collin aqui.

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