Em Conversa • Pablo Santos

Pablo Santos é filho de Paraibano, nasceu em Brasília, capital do Distrito Federal do Brasil e mudou-se para Dublin em 2014.

Seu encontro com a música foi aos 12 anos quando estudou violão no Clube do Choro de Brasília, e então tocando na igreja e em casamentos. Aos 20 anos de idade parou de tocar para estudar Engenharia, por pensar que a vida de um engenheiro seria mais próspera do que a música.

Mas a engenharia talvez tenha entrado em forma de equipamento musical. Pablo se tornou DJ e produtor de música, e hoje na Irlanda participa de diversos projetos e parcerias em festas.

Pablo Santos é DJ e Produtor Musical de Brasília residente em Dublin.  Estudou violão no Clube do Choro em Brasília quando menino e agora organisa festas em Dublin.
DJ Pablo Santos em Dublin.

Pablo, como se deu seu encontro com a Irlanda?

Com 15 anos de idade eu vi um anúncio sobre intercâmbio na Irlanda e me interessei por aquilo. Achei lindo as imagens do interior da Irlanda e achei que aquilo seria Dublin. 

Eu trabalhei na Embaixada da Holanda dos 20 aos 21, e então a idéia de me mudar para a Irlanda me acompanhava, especialmente por já estar inserido na comunidade internacional e ter amigos do mundo inteiro. Tinha muita curiosidade em conhecer a Europa e consequentemente encontrar os amigos que tinha feito no Brasil.

Seu encontro com a música foi quando ainda menino, mas não seguiu nesse caminho. O seu reencontro com a música foi então na Irlanda?

Meu pai é músico, ele tocava na igreja em qual era pastor e eu também toquei na igreja e em casamentos. Estudei violão no Clube do Choro de Brasília, mas parei de tocar aos meus 20 anos, quando comecei a estudar Engenharia. Acreditei que seria uma área mais próspera do que a música.

Em 2015 já na Irlanda comecei a trabalhar no pub Bernard Shaw e o contato com os djs me abriu os olhos para uma nova forma de fazer música. Primeiro eu tinha aquela idéia, bem ignorante de que ser DJ era coisa de músico preguiçoso, só ligar a máquina e deixar tocar, mas não é. Me interessei em me tornar DJ e com o estudo e o conhecimento musical que eu já tinha, eu busquei trazer algo diferente, e trazer músicas brasileiras para a Irlanda.

Pablo Santos com 15 anos de idade tocando em um casamento no Brasil.

Quais são suas influências musicais?

Tenho muitas influências musicais. Na verdade eu diria que tenho um ídolo em cada gênero musical, e às vezes mais de um [haha]. Mas vou tentar resumir alguns que sempre me inspiram: Bossa Nova, MPB; Elis Regina, Jorge Ben, Siba é um contemporâneo de Recife. Também gosto de Erykah Badu,Thundercat, Fela kuti, o rapper Kendrick Lamar. Na discotecagem descobri o trabalho do DJ Tahira, Branko e alguns outros e me inspirei bastante.

Qual seria então a diferença entre tocar violão e um equipamento de DJ?

Pra mim, teve uma diferença que foi decisiva. Com o violão, eu tinha sempre que procurar por uma banda ou um amigo pra poder conseguir uma gig. A toca-disco me deu opção de ser a banda de um cara só [haha] o que fica mais fácil, tudo “depende” basicamente apenas de você mesmo pra acontecer. De resto, os dois são equipamentos musicais e com estudo e dedicação você consegue aprender.

Pablo Santos tocando guitarra nos bastidores da Cantata de Páscoa, Brazil, com 13 anos de idade.

Quais foram e são os seus projetos e festivais?

“Meruteria”, foi uma parceria com meu grande amigo Kixx, de Leshoto, África. O nome se deu de uma fusão dos nomes “merupa” em Leshoto e Bateria em português, simplesmente fizemos uma brincadeira com os nomes, por que sem dúvida, música africana e brasileira se conectam de forma histórica pelos ritmos e percussões que os africanos levaram ao Brasil. Hoje infelizmente por motivos da vida, não temos organizado eventos, mas ocasionalmente ainda tocamos juntos em festas.

Hoje eu dedico também maior parte do meu tempo ao Different Rhythm que é uma parceria com Mick t-woc. T-woc que na minha opinião é um dos melhores djs e colecionadores de disco na Irlanda, antes organizava a Disco é Cultura. Festa que acontecia também no Bernard Shaw, onde eles só tocavam música brasileira, só no vinil. Imagina, dois irlandeses tocando aqueles disco do Jorge Ben, Tim Maia, Sandra de Sá!?

Com o fim do Disco é Cultura na época,  decidimos fazer essa parceria [Different Rhythm], mas não focamos apenas na música brasileira. Com isso a cada 2 meses temos a nossa festa Balanço Certo, que é apenas de música brasileira. Nos demais meses tentamos trazer um pouco da nossa pesquisa musical mesmo, música de todo lugar do mundo, Nigéria, Cabo Verde, Angola, México, Colômbia.

Aqui tive a oportunidade também de abrir o shows do Ed Motta, Metá Metá, Marcelo D2.

Outro projeto foi o nascimento da Moinho no ano passado. Onde pudemos realizar os shows do Nando Reis, Martinho da Vila, Johnny Hooker em parceria com nossos amigos da Bossa e YN.

Há a possibilidade da música irlandesa influenciar na música que você faz?

Com certeza. Acho que é essa maior função da música na verdade. Influenciar e se deixar ser influenciado. Acho que aumenta as possibilidades de criar algo, que talvez seja completamente diferente do resto. 

O que esperar de uma festa sua?

Se você vier pra Balanço Certo, pode esperar música brasileira de todas as idades. Desde as gravadas nos anos 60 até as atuais. Mas o que torna nossa festa ainda melhor, são as pessoas que comparecem. Festa animada com gente interessante é o combo perfeito.

Mas se você quiser acompanhar mais do meu trabalho, me segue nas redes sociais. Lá eu ‘‘sempre’’ atualizo onde eu vou estar tocando, em qual festa. Mesmo que seja festa virtual, nesses tempos de Covid.

Ouça aqui as músicas do Pablo.


Se interessa mais por assuntos de música, dê uma olhada na entrevista abaixo:

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