Em conversa • Marcio Tarktarov

Marcio nasceu em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, Brasil e vive na Irlanda há 7 anos. Marcio é percussionista de nascença, vivia batucando nas coisas. Para ele, qualquer coisa é percussiva: ‘talheres, copo, água, nosso corpo’.

Já tocou nas ruas de Dublin, cidade a qual veio para um intercâmbio de um ano, para estudar inglês, mas passaram sete anos e ele ainda permanece, garantindo que se não fosse pela música ele não teria ficado.

Nos últimos anos Dublin têm sido palco para grandes artistas brasileiros, e Marcio teve participação nas aberturas de shows de músicos como Martinho da Vila, Emicida, Maneva, Rael e participou da produção do show do Criolo. Também gravou dois EP’s com a banda Profunda Estima, e Ellen Be.

“Eu sou aquela parada: pode me chamar que eu vou”

Hoje, Marcio tem em torno de nove projetos musicais, onde três deles são mensais: Brazilian Reggae Night, Forró Namangaia e tocar com DJ’s. Além das parcerias com o Afrobeat, Sertanejo (Made in Roça) Axé e Tributo Rock. A agenda do Carnaval dos dias 19 ao dia 23 de fevereiro foi agitada, o Marcio tocou no D-Two, Wigwam, Diceys e também no Arthur’s pub com a banda do Afrobeat.

“Tudo é percussão, talheres, copo, água, nosso corpo.”

Praias de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco • Photo: julien8282

O que você fazia no Brasil?

Trabalhei na área de Marketing da escola de inglês Wizard. Minha irmã que me colocou na área de marketing e vendas.

O que faz aqui em Dublin?

Eu já fiz de tudo aqui, já fui kitchen porter, já trabalhei em escola de intercâmbio, já vendi pacotes de viagens. Hoje eu decidi trabalhar part-time e investir na carreira de músico.

Como foi sua aproximação com a música?

No Brasil eu nunca fui tão músico quanto em Dublin. Meus tios e primos tocam samba, mas o primeiro músico mesmo da família fui eu. Sempre fui muito percussivo, de ficar batucando nas coisas, e chegando aqui eu formei um grupo de pagode, o grupo “Tamo Junto”, e isso me deu a ponte para estudar outros instrumentos.

Qual o cenário musical em Pernambuco?

É multicultural demais. Todo lugar que você vai você tem um forró, um maracatú, coco, axé, manguebeat, bossa nova, MPB. 

Olinda, em especial, respira música. Recife tem essa cultura forte dos discos, tem a famosa terça do vinyl, a galera vai para ouvir mesmo o cara tocar vinyl.

Recife já foi a cidade mais violenta do Brasil, mais que o Rio de Janeiro, mas hoje melhorou. No bairro que eu cresci, Barra de Jangada, eu aprendi muito sobre música com meus amigos.

Quais são as facilidades de um músico aqui na Irlanda?

O acesso a instrumento aqui é mais fácil, até se pensar em compra online, frete, e valor. Hoje eu tenho um quarto onde moro que parece um galpão de escola de samba.  E também lá, no Brasil, a concorrência é maior que aqui.

E as dificuldades?

O trabalho, se engajar em conseguir uma gig e uma banda, fazer o network para conseguir se encaixar. Documentação também é uma dificuldade, por exemplo o Forró, um dos gêneros que tem se espalhado pelo mundo, fomos convidados para um festival pela Europa, mas não pudemos ir pois alguns membros estavam em processo de documentação.

Como você se encaixou em outros gêneros, que não fosse unicamente brasileiros?

Eu estava tocando reggae, música brasileira, e de repente meu nome chegou em uma banda de Afrobeat, a Ajo Arkestra, e então começamos a tocar juntos há mais de 3 anos, e já fizemos em torno de nove festivais, incluindo o Electric Picnic Festival. Depois conheci a “Boye & Colours Afrobeat”, e estou tocando com eles já há 1 ano. 

Você acha que a percussão tem sido mais requisitada?

Sim, eu acho que as bandas hoje estão se complementando mais, até o próprio rock vêm incrementando o som com algo a mais. A percussão está em tudo, e a percussão brasileira é quase única, se encaixa em vários gêneros. Hoje, estudando bastante tento encontrar esses caminhos, de acrescentar esse algo a mais nas músicas.Tudo é percussão, talheres, copo, água, nosso corpo.

Toda banda precisa de um baterista, mas nem toda a banda precisa de um percussionista. O que eu faço é tocar cajon, cuíca, timbal, implemento com outro instrumento tentando encaixar no estilo seguindo o padrão deles, acrescentar e trazer mais peso no sentido de preencher espaços. No sentido de trazer uma introdução para a música, fazer efeitos, e inclusive fazer back-vocal quando necessário. Recentemente comprei um berimbau, e meu plano é estudá-lo e fazer uma parceria com DJS.

Qual é a recepção dos irlandeses com a música brasileira, na sua visão?

Os caras aqui não tem muito suíngue, então eles gostam do nosso balanço, eles abraçam nosso som, são bem receptivos. Em relação aos músicos também, eles se interessam em aprender conosco e a ensinar.

Quanto a comunidade brasileira envolvida em música, como é?

Hoje o cenário musical brasileiro aqui está muito “brother”, muito unida. Há as tribos do rock, axé, funk, e o pessoal antes de marcar as datas dos eventos deles sondam com os demais para não fazerem na mesma data. Quando eu cheguei existia uma rixa, hoje em dia não tem isso, até porque tem espaço pra todo gênero.

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Leia também a conversa com Mila Maia, flautista residente em Galway.

5 thoughts on “Em conversa • Marcio Tarktarov

  1. Marcio tarktarov says:

    Gostaria de agradecer imensamente, toe esse profissionalismo e carinho com todo esse conteúdo, vocês só engrandecem minha admiração pelo Trabalho de vocês, meu muito obrigado!!

  2. Marcio tarktarov says:

    Muito bom dividir esses palcos da da vida Com tanta gente talentosa, espero que essa junção seja sempre, enriquece Muito tanto para nós quanto para quem nos assiste!!

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