A vida no exterior são fases

A vida de um morador no exterior é uma vida vivida em fases, não há permanências.

A vida em qualquer lugar é uma sucessão de ciclos abrindo-se e fechando-se.

Mas deixando a terra natal esses ciclos são mais parecidos com íngremes trilhos de montanha-russa do que com o harmônico círculo usado como símbolo em certas ideologias.

Uma casa nova, um emprego novo, um amor inesperado ou uma amizade surpreendente, muito acontece da noite para o dia.

Estamos constantemente sujeitos ao acaso, é como se a vida esperasse o último segundo para se lembrar do que planejou para nosso caminho.

De repente, acontece.

Viver em terras distantes é aprender a fazer sua parte, mas confiar que o universo também é um jogador na partida da vida.

É aprender a viver cada momento sabendo que esses passarão.

Tem a fase de festa, de folia e alegria. A fase do choro e do “vou voltar pra casa” mesmo quando já estamos  na fase que casa mesmo já não é mais no país que deixamos.

Há tempos em que estamos completamente ligados a nossa cultura natal e outros onde abandonamos tudo e mergulhamos no novo. Ocasionalmente encontramos familiaridades no novo.

No início tudo é muito passageiro, a maioria nem veio para ficar, mesmo assim há dores que parecem ser eternas. Não são, é só uma fase.

O tempo faz com que a rotina se acalme e que o coração se acalente, pelo menos até a próxima transformação.

Quando moramos no mesmo lugar podemos enxergar todas as possibilidades, quando viajamos as possibilidades são tão inúmeras que nem conseguimos enxerga-las.

Por isso quando algo parece “cair no colo” é, na verdade, algo que inconscientemente galgamos mesmo sem ter um mapa do caminho.

Depois de deixar a segurança do lar não nos ensinam como fazer, fazemos do nosso jeito, porém aí quase sempre dá certo.

São fases que vêm e vão infinitamente, não há como premeditar a próxima.

Desde que se cria um novo lar qualquer outra mudança significa “morar fora”, quando permanecemos estamos morando fora, se voltarmos também deixaremos para trás um outro lugar.

Depois de se fazer as malas a primeira vez não há mais constante, só há o jeito de viver aos poucos, uma fase de cada vez.

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